Mais de 700 mil empresas brasileiras querem agentes de IA. Quantas estão prontas?

Romildo Burguez • June 24, 2026

Um levantamento publicado pela ABES em junho de 2026, com dados da IDC, mostrou que IA Generativa e Agentes de IA são prioridade de investimento para 53% dos executivos brasileiros de tecnologia. Há 401 mil empresas no Brasil que já investem em agentes. Outras 331 mil planejam iniciar nos próximos doze meses. Somadas, representam mais de 70% do universo total de empresas no país. O dado é expressivo. Mas ele conta apenas metade da história. 


O que os números da ABES e IDC revelam 


O Brasil não está assistindo essa onda de fora. O setor financeiro lidera os investimentos, o que faz sentido: volume alto de dados, pressão regulatória intensa e boa parte dos processos com natureza repetitiva e estruturada. Mas o movimento se espalha para setores com maturidades de dados e processos muito diferentes entre si. 


Quando mais de 700 mil empresas convergem para o mesmo ponto ao mesmo tempo, isso não é tendência. É um mercado se reorganizando em tempo real. A pergunta que importa nesse contexto não é mais "se" investir em agentes de IA. É o que precisa estar no lugar antes de o investimento gerar algo além de uma linha no orçamento. 


O padrão que aparece nas iniciativas que não entregam 


Uma pesquisa da PwC publicada em 2026 mostrou que 56% dos CEOs ainda não veem retorno financeiro das iniciativas de IA. Esse dado convive com os da ABES de forma desconfortável: há muita intenção, muito investimento, e ainda resultado concreto escasso. 


O padrão é bem conhecido por quem acompanha esses projetos de perto. A fase de piloto funciona. O agente conversa, resume, responde, automatiza algo. O problema começa quando a empresa tenta levar isso para produção, para volume maior, para processos que dependem de sistemas que não estavam integrados, para bases que acumulam inconsistências há anos. É aí que o agente começa a gerar exceções que ninguém sabe tratar, roteamentos errados, respostas que parecem certas mas não são. 


O modelo de IA não é o problema. A infraestrutura que precede o modelo é. 


O que um agente de IA precisa para funcionar de verdade 


Agentes de IA não operam no vácuo. Eles precisam de três elementos que boa parte das empresas brasileiras ainda não tem estruturado. 


Dados governados e acessíveis 


Um agente só consegue agir com precisão quando os dados que ele consulta são confiáveis, consistentes e estão organizados em um formato que ele consegue interpretar. Dados espalhados em silos, com duplicatas, sem linhagem e sem governança, transformam o agente em uma máquina cara de confundir. Qualquer resposta que ele gerar vai refletir a qualidade da base por trás. O princípio é simples e brutal: lixo entra, lixo sai. E no caso de agentes, o lixo sai em escala e com velocidade. 


Processos estruturados 


Um agente que entra em um fluxo desenhado informalmente, cheio de exceções não documentadas e aprovações que dependem de ligações telefônicas, vai criar mais ruído do que resolução. Para que agentes funcionem como extensão de um processo real, esse processo precisa existir de forma explícita: com regras claras, responsáveis definidos, SLAs estabelecidos e critérios de escalação documentados. ITSM e ESM, quando bem implementados, criam exatamente esse backbone. Sem ele, o agente não tem onde ancorar as decisões que precisa tomar. 


Integração entre sistemas 


A maioria das empresas médias e grandes opera com sistemas que não se comunicam de forma nativa. O agente não resolve isso por conta própria. Ele pode consultar uma fonte e encontrar uma interface que não foi projetada para automação, ou depender de um dado que só existe em um sistema legado que não tem API. Sem uma camada de integração funcional, o agente opera em ilhas. E ilhas não escalam. 


A distância entre querer e conseguir 


Das 331 mil empresas que planejam iniciar em agentes de IA nos próximos doze meses, uma parcela relevante vai enfrentar essa tríade como freio. Não por falta de orçamento ou de vontade. Por falta de preparação nas camadas que o agente vai precisar acessar. 


A boa notícia é que essa preparação não precisa ser um projeto sem fim. Ela pode ser feita de forma incremental, começando pelos pontos de maior pressão: os dados mais críticos para a decisão, os processos com maior volume de trabalho manual, as integrações que causam mais retrabalho. Quando a base está em ordem, ainda que parcialmente, o agente deixa de ser experimento e passa a ser ferramenta. 


O que muda quando a fundação está no lugar 


Empresas que chegam ao investimento em agentes de IA com dados estruturados, processos mapeados e integrações funcionando têm resultado diferente. Agentes que operam sobre essa base conseguem classificar tickets com precisão, roteá-los para as pessoas certas, identificar padrões em incidentes recorrentes, gerar respostas contextualizadas, e liberar o time para o que exige julgamento humano. Não é promessa: é o que acontece quando os pré-requisitos estão presentes. 


Sem eles, o agente trabalha, mas não sabe para quê. 


Há outro ponto que raramente aparece nas discussões de investimento: a velocidade com que o erro escala. Um agente bem alimentado automatiza o acerto. Um agente com base frágil automatiza o erro, na mesma velocidade. Por isso, a decisão de "quando investir em agentes de IA" é inseparável da decisão de "o que precisa estar pronto antes". 


Como a CSP Tech atua nesse contexto 


A CSP Tech trabalha em dois dos três pilares que sustentam agentes de IA funcionais em ambientes corporativos reais. 


Na frente de Inteligência de Processos e Dados, o trabalho envolve estruturar a base de dados, construir infraestrutura de Analytics e BI, integrar fontes e garantir que a informação que chega ao agente seja confiável. Não se trata de entrar e instalar um modelo. Trata-se de entender o ambiente, mapear onde os dados vivem, identificar o que está inconsistente e construir um caminho viável para organizar isso sem paralisar a operação. 


Na frente de Implantação e Sustentação de ITSM, a CSP Tech ajuda empresas a construir o backbone de processos onde os agentes vão operar: catálogo de serviços, automação de fluxos, SLAs configurados e agentes integrados ao ambiente Atlassian. Quando esse backbone existe, os agentes têm onde trabalhar. 


Para que você possa se aprofundar ainda mais, recomendamos também a leitura dos artigos abaixo: 


Colaboração humano-IA em escala: o futuro do trabalho 


Por que 90% das empresas ainda não estão prontas para utilizar IA? 


Governança de IA em 8 passos: proteja sua marca antes que a lei mude 

 

Conclusão 


O dado da ABES confirma que o Brasil está no centro dessa onda, não na margem. Mas ondas recompensam quem construiu estrutura antes. Para a maioria das 700 mil empresas que vão investir em agentes de IA nos próximos meses, o resultado vai depender menos do modelo escolhido e mais do que estava no lugar quando ele foi ativado. 


A pergunta mais útil agora não é "qual agente usar?", mas "o que precisa estar pronto para que ele funcione?"


Essa resposta começa com um diagnóstico honesto da base atual: dados, processos, integrações. Se faz sentido fazer esse diagnóstico com quem já trabalhou nessas camadas em operações reais, estamos prontos para essa conversa. 


Fale com a CSP Tech: www.csptech.com.br/contato 

Fale com a CSP Tech

.

Por Guilherme Matos 23 de setembro de 2026
A promessa de 2026 é o agente que responde perguntas sobre os dados da empresa. Sobre dado de sistema legado, ele lê um campo chamado CLI_ATV, assume cliente ativo e devolve uma métrica errada com confiança. Veja por que governança de dado para IA no legado começa pelo significado.
Por Guilherme Matos 22 de setembro de 2026
Sustentar sistema legado tem quatro tipos de manutenção, e cada um exige saber o impacto de uma mudança antes de fazê-la. Num legado, esse impacto é invisível. Veja como instrumentar a sustentação para transformá-la de custo cego em decisão informada.
Por Guilherme Matos 22 de setembro de 2026
A maior parte das boas práticas de Jira que circulam otimiza um único objetivo: a experiência de quem trabalha dentro da ferramenta. Workflows limpos, campos úteis, telas organizadas, automações que poupam cliques. Isso é necessário e é o nível básico. Existe uma camada acima, que poucas operações aplicam e que separa o Jira que só gerencia trabalho do Jira que gera valor de dado: as normas que tratam cada decisão de configuração como uma decisão de esquema de dado. Nesse nível, definir um workflow, um campo ou um tipo de item deixa de ser escolha de usabilidade e passa a ser definição de contrato com quem consome esse dado a jusante, o BI que precisa fechar, o pipeline que não pode quebrar, a análise que mede a entrega de software . Boas normas avançadas de Jira são, no fundo, o acordo entre quem produz o dado e quem depende dele.
loops de agentes de IA, o que são agent loops, governança de agentes de IA na engenharia de software
Por Romildo Burguez 22 de setembro de 2026
Loops de agentes de IA já entram no backlog de engenharia. Entenda o que muda, por que a maioria das empresas não está pronta e como se preparar.
Por Guilherme Matos 18 de setembro de 2026
Governança de dados pressupõe que você sabe o que cada campo significa. No sistema legado, essa premissa falha: campos crípticos, códigos sem regra e o mesmo conceito registrado de formas diferentes. Veja por que reconstruir o significado vem antes do controle.
Por Guilherme Matos 17 de setembro de 2026
O licenciamento do Jira Cloud é por usuário, e a definição de usuário é mais ampla do que a intuição sugere. Segundo a Atlassian , um usuário é alguém que pode fazer login em um dos seus sites Jira e que existe na gestão de usuários, o que significa que uma conta dormente continua contando como licença até ser removida ou desativada. É por isso que tantas empresas pagam por assentos de pessoas que saíram, mudaram de área ou nunca usaram a ferramenta de fato. E há um consumidor de licença que quase ninguém associa ao custo: o sistema legado , que força a manter usuários e integrações vivos apenas para sustentar algo que já deveria ter sido racionalizado. Reduzir custo de licença Jira , portanto, não é só desativar conta parada. É entender quem realmente usa o quê, e o que ainda existe só porque um sistema antigo depende disso.
engenharia de contexto; o que é engenharia de contexto; contexto estrutural do código; IA em legados
Por Romildo Burguez 17 de setembro de 2026
Sua IA lê o código mas erra ao mudar o sistema. Entenda o que é engenharia de contexto e o que muda com a estrutura certa. Veja como aplicar.
Por Guilherme Matos 16 de setembro de 2026
Dívida técnica consome 21% a 40% do gasto de TI (Deloitte, 2026). Entenda o custo real do sistema legado e como levá-lo ao board com evidência.
Jira Planner e Confluence Slides, o que é o Jira Planner; Confluence Slides Atlassian
Por Romildo Burguez 15 de setembro de 2026
A Atlassian liberou Jira Planner e Confluence Slides em early access. Entenda o que muda no planejamento e nas apresentações. Veja como aplicar.