Menos ruído, mais entrega: use Rovo para achar, resumir e agir no trabalho do time

Romildo Burguez • October 8, 2025

Você já deve ter sentido isso na pele: a informação existe — em algum lugar — mas não aparece quando o relógio está contra você. O chamado crítico chega, o fornecedor liga, o jurídico quer uma atualização, a diretoria pergunta “e aí?”… e cada minuto vira um garimpo entre Jira, Confluence, e-mails, planilhas, threads de chat e documentos dispersos. O time é enxuto, o contexto é sensível, integrações são frágeis, e mexer no legado dá arrepio. Mesmo assim, o negócio precisa de resposta agora. 


Esse post é para CIOs, gerentes e coordenadores de TI em setores consolidados — empresas em que tecnologia não é “o” produto, mas sustenta eficiência, confiabilidade e, cada vez mais, inovação. A proposta é simples: mostrar como reduzir o ruído informacional e ganhar velocidade de decisão com o Rovo, uma camada de buscachat e agentes que se apoia no trabalho já existente e transforma conhecimento disperso em ação com casos de uso reais e passos curtos que se pagam rápido. 


O ruído que custa caro


Em ambientes críticos, o problema raramente é “falta de dado”; é achabilidade. O que você precisa está quebrado em pedaços, cada um com dono, formato e atualização próprios. A informação existe, mas chega tarde, incompleta ou sem contexto. Isso se agrava com a dependência de “heróis” (as duas ou três pessoas que sabem tudo de cabeça), com o medo de tocar no legado e quebrar algo, com filas inchadas por triagem manual e chamados repetidos, e com a pressão por auditoria e conformidade. Para quem opera com times enxutos, tempo perdido vira atraso, retrabalho e risco — e nenhum desses itens cabe no orçamento. 


O que é o Rovo, dito de forma direta 


O Rovo funciona como um atalho inteligente para três necessidades do dia a dia. 

Achar. Uma busca que não apenas indexa palavras, mas entende relações entre tarefas, pessoas, metas, times e documentos. Em vez de despejar links, ela retorna o que tem chance real de resolver o problema, respeitando o contexto de trabalho e as permissões da sua organização. 


Entender. Um chat que lê as fontes certas e devolve resumos, briefings e próximos passos com links de origem. Você faz perguntas e recebe uma narrativa coerente, conectando o que está espalhado em Jira, Confluence e outros aplicativos. 


Agir. Agentes configuráveis que executam tarefas repetitivas e previsíveis — preparar um briefing de incidente, propor rascunhos de release notes, sugerir agrupamento de tickets duplicados, preencher esboços de relatórios — sempre com governança de fontes e limites claros. 


Não se trata de substituir pessoas, e sim de tirar atrito das rotinas e devolver horas para o que realmente move a agulha: reduzir MTTR, evitar reincidências, padronizar conhecimento e decidir com mais contexto, mais rápido. 


Três cenas do “antes e depois” que todo CIO reconhece 


Suporte/ITSM: respostas com contexto, fila mais limpa 


No cenário antigo, o time recebe tickets que poderiam ser resolvidos com base na KB. O analista caça artigos parecidos, cola trechos, pede logs e reenvia links que poucos leem. O usuário volta e reabre. A fila cresce. Com o Rovo, o chat explica o problema em linguagem clara, puxa a KB relevante e sugere uma resposta inicial com links e passos; a busca lida com sinônimos e encontra casos similares; um agente detecta duplicidade e encaminha para a fila correta com evidências resumidas. O resultado aparece no placar executivo: primeira resposta resolutiva sobe, reabertura cai e o tempo médio de atendimento diminui — sem mudar sua pilha inteira de ferramentas. 


Operação/SRE: briefing de incidente em minutos 


Quando o pager toca, o antigo ritual é juntar prints, logs, status de serviços e mudanças recentes, enquanto alguém tenta explicar o impacto. Com o Rovo, a busca traz de uma vez as alterações mais recentes, tickets relacionados e a documentação relevante; o chat devolve um briefing inicial objetivo e linkado; e um agente ajuda a estruturar o pós-incidente com base em template, reduzindo lacunas e acelerando o aprendizado. A consequência é prática: MTTR menor e postmortems mais consistentes, o que, com o tempo, reduz ocorrências repetidas. 


Produto/Projetos: requisitos dispersos viram decisão 


Antes, partes da especificação estão em uma página, outras em um comentário antigo, outras em tickets e outras em uma reunião sem registro. Para alinhar tudo, convoca-se nova reunião. Com o Rovo, o chat compila o que existe, devolve um resumo com dúvidas em aberto e sugere próximos passos; a busca aponta dependências e decisões passadas; e um agente gera changelogs legíveis para o negócio ao término de cada ciclo. Menos reuniões de alinhamento, mais foco no que precisa de decisão. 


“E o meu legado? Não posso quebrar nada.” 


Não é preciso salto no escuro. O caminho seguro começa ao ativar a busca e o chat nas fontes mais estáveis — frequentemente a documentação em Confluence e os projetos críticos no Jira. Nessa fase, você apenas lê e entende melhor o que tem; nada de automações invasivas. Em seguida, quando o time já enxerga valor, introduzem-se agentes em tarefas de baixo risco, como rascunhos de briefings, release notes ou consolidação de informações repetitivas. As permissões são herdadas, isto é, cada pessoa vê e faz no Rovo o que já poderia ver e fazer nas ferramentas de origem.


Pequenos ajustes de nomenclatura e templates — nomes de campos, labels, estrutura mínima de páginas — multiplicam a qualidade das respostas. E, para fechar, auditoria e revisão periódica mantêm o sistema alinhado: logs de uso, aferição de fontes, calibração de agentes e correções de rota. 


O motor invisível: um grafo do seu trabalho 


A diferença entre “mais uma busca” e um verdadeiro atalho para a decisão é o mapa por trás. O Rovo se apoia em um grafo de trabalho que conecta conteúdo, tarefas, pessoas e objetivos. Isso faz com que, ao procurar por um tema, ele não apenas traga o texto relevante, mas também dê pistas sobre quem está envolvidoquais tickets se relacionamem que épico aquilo se encaixa e que decisão já foi tomada. Em resumo, menos ruído e mais contexto útil na primeira resposta. 


Agentes: quando o repetitivo deixa de ser problema 


A imagem de “agentes” às vezes parece futurista, mas a utilidade é prosaica: eliminar tarefas repetitivas. Eles podem ser chamados no chat (“gere um esqueleto de pós-incidente com base nos links X e Y”), acionados por automação (quando um ticket muda de estado) ou usados como atalhos durante a edição de conteúdo. Em todos os casos, é você quem define quais fontes valemo que o agente pode fazer e quando exige revisão humana. Para times de desenvolvimento, existe ainda um assistente focado em fluxo de código e terminal; não é o foco deste texto, mas mostra que a filosofia é a mesma: reduzir atrito e liberar capacidade


Métricas que importam — e que o board entende 


Evite indicadores que ficam bonitos em relatórios técnicos, mas não dizem nada para o negócio. Dê atenção ao tempo para encontrar informação crítica, ao percentual de tickets desviados para autoatendimento e à taxa de reabertura, ao MTTR e à redução de incidentes repetidos, ao tempo para produzir um briefing confiável, ao retrabalho por falta de contexto em projetos, e à saúde da base de conhecimento (uso e atualização).

Se quiser um atalho para o ROI, combine três elementos: horas economizadas (menos busca, menos reuniões para “juntar peças”), custos evitados (menos N1, menos horas extras e plantões drenando energia) e riscos reduzidos (menos exposição, melhor rastreabilidade). Use números conservadores; é preferível surpreender positivamente do que justificar promessas exageradas. 


Cinco pilotos que se pagam rápido 


Há iniciativas que, mesmo pequenas, entregam efeito imediato. Pós-incidente assistido é uma delas: um agente junta evidências de tickets, mudanças e documentação, e monta um esqueleto de relatório com campos obrigatórios e links de origem. Com o tempo, o time só ajusta as conclusões e as ações de prevenção — o resultado é padronização e velocidade. Desvio inteligente de N1 é outra: quando há boa cobertura de KB, o chat orienta a resposta e sugere atualizar (ou criar) artigos quando uma solução ainda não existe. Briefings executivos “na hora” reduzem a necessidade de reuniões longas: no fim do dia ou do sprint, o chat reúne o que mudou, os riscos emergentes e as decisões pendentes. Release notes decentes — que o negócio realmente lê — nascem de um agente que compila mudanças marcadas, agrupa por impacto e linka as referências. E, por fim, grooming com contexto ajuda o PO a decidir melhor: sugerir agrupamentos, marcar duplicados, destacar bloqueios e propor próximos passos, deixando o julgamento final com o humano. 


Governança leve que sustenta qualidade 


Para que a qualidade não se perca conforme mais gente usa, vale instituir três hábitos simples. O primeiro é a higiene de base: templates de página, donos definidos e datas de atualização à vista; páginas antigas vão para arquivo com critério. O segundo é um vocabulário controlado com um punhado de termos canônicos por área, o suficiente para reduzir a ambiguidade que confunde a busca. O terceiro é a revisão trimestral: conferir fontes do Rovo, olhar logs de uso, ajustar agentes e desativar o que não faz mais sentido. É uma governança pequena, mas constante — o tipo de disciplina que protege sem travar. 


Segurança e compliance sem complicação 


Três princípios resolvem a maior parte das preocupações. O primeiro é respeitar permissões: quem não pode ver algo no sistema de origem, também não vê no Rovo, e agentes só atuam dentro das mesmas cercas. O segundo é trilhar as ações: manter registros de prompts e execuções em tarefas críticas, para auditoria e aprendizado. O terceiro é evitar fantasia: respostas sempre citam fontes e datas; templates de conteúdo reduzem ambiguidade; e revisões pontuais tiram de circulação aquilo que ficou obsoleto. Quando esses pilares estão no lugar, o time de segurança tende a abraçar, e não barrar, o movimento. 


Como Começar  


O caminho pode ser estruturado em três ciclos curtos, que se repetem. No ciclo de Descoberta (uma ou duas semanas), escolha um time — suporte ou SRE são boas portas —, duas fontes confiáveis e três casos de uso “no-regret”. Ative busca e chat e meça um baseline simples: tempo de busca, FCR/MTTR, retrabalho. No ciclo de Validação (duas a três semanas), introduza um ou dois agentes de baixo risco com revisão humana, ajuste templates e refine rótulos; no final, apresente um antes/depois com números modestos, porém sólidos. No ciclo de Escala, crie uma biblioteca de prompts por persona, um catálogo de agentes por função e leve os KPIs para o scorecard executivo. A partir daí, estenda fontes com critério e institua um programa de champions para disseminar boas práticas. 


Disponibilidade e acesso: o que esperar 


O Rovo vem sendo liberado gradualmente no ecossistema Atlassian Cloud ao longo de 2025, com recursos de Search, Chat e Agents apoiados por um grafo de trabalho que dá contexto às respostas. Organizações em planos Enterprise e Premium costumam receber primeiro; o plano Standard também entrou na rota de liberação em ondas. Em termos práticos, vale conferir a elegibilidade da sua instância e o status de ativação para saber o que já está disponível e quais pilotos podem começar amanhã


O que contar ao board 


Troque o discurso de “IA porque é o futuro” por três histórias curtas, com números modestos. “Reduzimos pela metade o tempo para achar informações críticas de operação.” “Desviamos 20–30% de chamados N1 para autoatendimento.” “Cortamos entre 15% e 25% o MTTR em incidentes porque o briefing inicial sai na primeira interação.” Esses números, quando sustentados por exemplos reais, falam a língua do negócio. Não é milagre; é método. 


Para que você possa se aprofundar ainda mais, recomendamos também a leitura dos artigos abaixo:   



Conclusão 


Menos ruído, mais entrega” não é slogan; é uma decisão de desenho organizacional. Quando o conhecimento fica encontrável, quando texto vira decisão e quando o repetitivo é padronizado, a TI volta a operar no ritmo do negócio, e não no ritmo do garimpo. O Rovo ajuda porque entende como o trabalho se conecta, traz respostas com fonte e permite automatizar o que não merece cérebro humano. É a maneira mais pragmática de dar superpoderes a um time enxuto — sem arriscar o que não pode quebrar. 


Se quiser começar já, escolha um time, mapeie duas fontes confiáveis, defina três casos de uso no-regret, meça antes, execute por duas semanas e compare. Se a curva for positiva — e a tendência é que seja —, você não precisará “vender IA”; os números venderão por você. Quando perguntarem “por que agora?”, a resposta cabe numa frase: porque ruído custa caro — e já dá para trocá-lo por entrega. 


Esperamos que você tenha gostado do conteúdo desse post! 


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