56% dos CEOs ainda não veem retorno financeiro da IA: o que esse dado realmente revela?

Romildo Burguez • January 27, 2026

A IA virou pauta fixa no topo das empresas e, ainda assim, muita liderança sente que “a conta não fechou”. A PwC aponta isso com clareza: na Global CEO Survey 2026, 56% dos CEOs dizem não ter visto benefício financeiro relevante com IA até agora. O dado não prova que a IA falha. Ele revela que a maioria ainda não aprendeu a transformar experimentos em resultado mensurável. Especialmente no Brasil, onde legado, pressão por eficiência e cobrança por performance não dão espaço para “promessa eterna”, capturar valor virou o verdadeiro desafio. 


Mas, o que esse dado realmente revela? Continue a leitura e saiba mais! 


Não é atestado de fracasso 


Quando um CEO afirma que não viu aumento de receita ou redução de custos, isso pode esconder três cenários comuns: 


  1. Não houve ganho real. O piloto foi “bonito”, mas não mudou o dia a dia. 
  2. Houve ganho local, mas ele se perdeu no sistema. A equipe até ficou mais rápida, porém o tempo economizado virou apenas “capacidade para aguentar demanda”, sem mudar margem ou receita de forma clara. 
  3. Houve ganho, mas faltou atribuição confiável. A empresa não consegue provar que o resultado veio da IA. E sem prova, ninguém carimba “retorno financeiro da IA”. 


pesquisa da PwC, no fim, fotografa a maturidade do topo: uma minoria já consegue conectar IA a valor financeiro; a maioria ainda está atravessando o caminho entre tentativa e resultado. 


Produtividade com IA existe, mas não vira dinheiro automaticamente 


Aqui está um ponto que confunde muita liderança: “Se a IA faz as pessoas trabalharem mais rápido, por que isso não aparece no resultado?” 


Porque ganho de tempo não vira ganho financeiro por osmose


Há estudos indicando aumento de produtividade em tarefas específicas quando ferramentas de IA entram em operação, por exemplo, pesquisas sobre atendimento ao cliente mostram melhora de desempenho e ganhos mais fortes entre pessoas menos experientes. 


Só que a tradução do “tempo economizado” para “resultado financeiro” depende de mudanças no processo. Se o atendimento ficou mais rápido, mas a empresa não mexeu em pontos como reabertura, repetição de erros, priorização, qualidade da resposta e jornada do cliente, o ganho vira absorção de volume. É valioso, mas pode não aparecer como margem, receita ou custo reduzido no consolidado. 


Outro detalhe: muitas organizações subestimam o peso do fator humano. Reportagens e discussões recentes no mercado reforçam a mesma tese: sem treinar pessoas e redesenhar tarefas, o retorno tende a ficar limitado, porque IA muda a forma de trabalhar — não só acelera etapas. 


Em resumo: dá para ter ganho real e, ainda assim, não conseguir “carimbar” retorno financeiro da IA se a rotina não mudar e a medição não estiver amarrada ao que o negócio reconhece como valor. 


O grande cemitério da IA se chama “piloto” 


Quase toda empresa grande consegue testar. O desafio é escalar


Relatórios de consultorias vêm apontando, de formas diferentes, um padrão parecido: a maioria das organizações não escala a maior parte dos seus experimentos para uso pleno na operação. E isso diz muito. 


Piloto, no fundo, é um ambiente controlado. Já a operação real tem: 


  • exceções o tempo todo, 
  • integrações com sistemas e processos legados, 
  • auditoria e segurança, 
  • pessoas com rotinas diferentes, 
  • manutenção contínua, 
  • mudança de hábito (o “como fazemos” do dia a dia). 


Quando essa travessia falha, acontece o fenômeno mais destrutivo internamente: a área de negócio vê a promessa, se empolga… e depois percebe que não chega no fluxo como deveria. Resultado: a IA ganha fama de “moda cara”, vira centro de custo e passa a ser cobrada com impaciência. 


O que separa os 12% que capturam valor não é “a melhor IA”. É o melhor encaixe 


Na prática, quem consegue dizer “aumentei receita” e “reduzi custo” costuma ter feito perguntas mais duras, antes de escolher onde aplicar: 


  • Onde a decisão errada custa caro? 
  • Onde a demora vira perda (de venda, de margem, de satisfação)? 
  • Qual tarefa repetitiva está consumindo um time inteiro? 
  • Qual gargalo impede escala e derruba a eficiência? 
  • Como eu provo isso com número, sem depender de sensação? 


Ou seja: não é só sobre tecnologia. É sobre escolher batalhas que encostam no dinheiro e permitem medição confiável. 


Um ponto que aparece com frequência em relatórios de prontidão é o desalinhamento entre o topo executivo e a área financeira sobre “o que conta como valor” no longo prazo. Quando CEO e CFO não compartilham o mesmo critério, o projeto até ajuda — mas morre na hora de virar escala, orçamento e continuidade. 


A virada acontece quando a IA entra no fluxo de trabalho


“Entrar no fluxo” significa algo simples: a pessoa não precisa lembrar de usar IA. A IA aparece onde o trabalho já acontece e onde a decisão já é tomada. 


Exemplos práticos: 


  • No atendimento, a IA sugere o próximo passo com base em histórico real, reduzindo retrabalho e reabertura. 
  • No comercial, a IA ajuda a priorizar oportunidades por sinais reais do cliente, em vez de “e-mail bonito”. 
  • No financeiro, a IA sinaliza inconsistências e riscos mais cedo, reduzindo perdas e horas desperdiçadas. 
  • Na manutenção, a IA antecipa falhas recorrentes com base em padrões reais, evitando paradas e urgências. 


Note o padrão: são usos que “tocam” custo, receita, risco ou satisfação do cliente — e por isso 
podem ser medidos com menos subjetividade


Sem base confiável, a IA vira multiplicadora de ruído 


IA acelera. E, quando você acelera em cima de base fraca, você acelera erro. 


Muitas empresas ainda enfrentam o básico: 


  • indicador que muda de definição, 
  • dado que chega atrasado, 
  • versões diferentes do “mesmo número”, 
  • planilhas paralelas, 
  • discussões intermináveis sobre “qual é o certo”. 


Nesse cenário, a IA até gera respostas rápidas — mas não gera decisão confiável. E sem decisão confiável, não existe retorno financeiro da IA que sustente crescimento de receita ou redução de custos de forma consistente. 


Aqui, BI deixa de ser “dashboard” e vira rotina operacional: consistência de indicador, rastreabilidade, donos claros, e regras do jogo que evitam debate infinito. Quem captura valor costuma fazer o caminho contrário do hype: primeiro garante consistência; depois acelera. Primeiro reduz retrabalho; depois automatiza. 


Em linguagem simples: três verdades que evitam frustração 


Se você levar só três ideias deste texto, leve estas: 


  • Resultado financeiro precisa de ponte. Ganho local sem ligação com o consolidado “some”. 
  • Pilotos não pagam a conta. Eles provam que é possível; só escala prova que vale. 
  • IA sem mudança de rotina é só ferramenta. Com mudança de rotina, ela vira alavanca — e isso passa por pessoas (treino, clareza, responsabilidades) e base confiável (dados e indicadores). 


Como “virar a chave” na prática, sem cair no ciclo do hype 


A virada costuma começar quando a empresa troca a pergunta “onde dá para usar IA?” por “onde está doendo no resultado?”


Depois, três movimentos mudam o jogo: 


  1. Escolher casos com métrica e consequência. Ex.: retrabalho que vira fila, reabertura que vira custo, demora que vira perda de oportunidade, ruptura que vira perda de venda. 
  2. Colocar a IA dentro do fluxo. Não como ferramenta opcional, mas como parte do caminho de trabalho — com regras claras. 
  3. Medir antes e depois com critério que o CFO reconhece. Se a medição não fecha, a escala não vem. 


Quando isso acontece, a IA deixa de ser show e vira rotina. E o retorno financeiro da IA deixa de ser uma promessa genérica para virar disciplina operacional. 


Perguntas Frequentes 


IA realmente dá retorno financeiro? 


Dá, mas não “automaticamente”. O retorno aparece quando o uso está conectado a processos que impactam custo, receita, risco ou satisfação, com medição clara e adoção no fluxo de trabalho. 


Por que tantas empresas ficam presas em pilotos? 


Porque o piloto é controlado e a operação é cheia de exceções: integrações, segurança, auditoria, mudança de hábito e manutenção contínua. Escalar é o ponto difícil. 


O que mais trava o ROI da IA no Brasil? 


Geralmente, a combinação de legado, dados inconsistentes, métricas pouco padronizadas e falta de governança prática (com donos, critérios e acompanhamento). Sem confiança no número, a empresa não age. Apenas discute. 


Para que você possa se aprofundar ainda mais, recomendamos a leitura dos artigos abaixo: 


Por que 90% das empresas ainda não estão prontas para utilizar IA?  


O “Hype” da IA: Uma reflexão sobre o uso da Inteligência Artificial na atualidade 


IA não salva dados bagunçados: descubra como sustentação em BI virou a maior alavanca de produtividade 


Recomendamos também que você baixe o e-book “Você ainda não está pronto para a IA. Mas, com esse guia, vai chegar lá”, produzido pela CSP Tech. Faça o download clicando na imagem abaixo: 

Conclusão 


dado da PwC do qual afirma que 56% dos CEOs ainda sem ganho financeiro relevante com IA não diz que a IA falhou. Ele diz que a maioria ainda está aprendendo a capturar valor de verdade


As coisas tendem a funcionar quando a IA deixa de ser experimento paralelo e vira parte do trabalho, permitindo que o ganho encontre uma ponte para virar número consolidado junto a pessoas preparadas para trabalhar de um jeito diferente. E o principal: quando a base (dados e indicadores) é confiável o suficiente para sustentar decisão sem debate infinito. 


No fim, não é sobre “ter IA”. Mas ter operação preparada para transformar IA em receita e eficiência


Esperamos que você tenha gostado do conteúdo desse post!  


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No Brasil, esse tema ficou ainda mais sério porque 2026 tende a ser a primeira eleição geral vivendo, na prática, o impacto do regramento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre uso de IA em propaganda, que inclui proibição de deepfakes e exigência de aviso de transparência quando houver conteúdo fabricado ou manipulado . A seguir, vamos olhar para os dois lados com calma — e, principalmente, trazer ideias úteis para o dia a dia de quem só quer atravessar o período eleitoral sem cair em armadilhas e sem viver em estado de alerta permanente. O que muda de verdade quando a IA entra nas eleições? Quando se fala em IA nas eleições , muita gente imagina apenas vídeos falsos de candidatos dizendo coisas absurdas. Isso existe, mas é só a ponta do iceberg. O impacto maior vem de quatro mudanças simples: Velocidade: produzir conteúdo persuasivo (texto, imagem, áudio) vira tarefa de minutos. Escala: uma equipe pequena consegue publicar como se fosse uma equipe enorme. Personalização: mensagens podem ser adaptadas para “conversar” com públicos diferentes. Ambiguidade: fica mais difícil ter certeza do que é real, do que é editado, do que é encenado e do que é inventado. Isso mexe com um recurso valioso da vida pública: confiança . E confiança não é um detalhe; é o chão onde debate, imprensa, instituições e eleitor caminham. Onde a IA pode ser um recurso valioso nas eleições Vamos começar pelo lado bom — porque ele existe e pode ser muito prático. Acessibilidade e inclusão: política em linguagem mais humana Uma eleição tem muita informação difícil: regras, propostas, comparações, dados. A IA pode ajudar a traduzir isso para linguagem simples, produzir versões em Libras, gerar legendas melhores, resumir planos extensos, adaptar conteúdo para pessoas com baixa visão ou baixa familiaridade digital. Não é “enfeite”. É dar acesso para mais gente participar do debate, com menos barreira. Atendimento ao cidadão: respostas rápidas sem “jogo de empurra” Em período eleitoral, dúvidas operacionais explodem: como regularizar título, local de votação, horários, o que pode ou não pode. Assistentes virtuais bem construídos podem reduzir gargalos e melhorar o serviço — desde que sejam transparentes e responsáveis. Combate a golpes e fraudes com apoio da IA A IA também é usada para defesa: identificar padrões de abuso, priorizar denúncias, achar comportamentos coordenados e reduzir o tempo entre “surgiu um boato” e “alguém percebeu que explodiu”. Autoridades eleitorais vêm reforçando cooperações e iniciativas com esse objetivo, especialmente no combate a deepfakes e desinformação eleitoral. Educação política: comparar propostas sem se perder Existe um uso que pode ser muito saudável: ferramentas que organizam informações públicas e ajudam a comparar propostas sem transformar tudo em torcida. O desafio aqui é governança: quem alimenta a ferramenta, com quais fontes, com quais limites e com qual transparência . Onde a IA vira ameaça nas eleições (e por que isso vai além das fake news) A desinformação é antiga. O que a IA faz é mudar o “tamanho do estrago” e o “tempo de reação”. Deepfakes: quando o vídeo “prova” algo que nunca aconteceu Deepfake é, em termos simples, uma mídia sintética (vídeo, áudio ou imagem) que imita uma pessoa de forma convincente. Ele pode ser usado como arma emocional: chocar, revoltar, humilhar, “cravar” uma mentira com aparência de evidência. Por isso, o TSE passou a tratar deepfake como prática proibida na propaganda eleitoral. Golpes com voz: o “ouvi com meus próprios ouvidos” Um risco ainda subestimado é a voz sintética . Golpes por telefone e áudio em aplicativos se tornam mais críveis quando a voz “parece” de alguém conhecido. Nos EUA, a FCC reconheceu chamadas com voz gerada por IA como “artificiais” para fins de combate a robocalls e fraudes. Produção em massa: muito conteúdo, pouca responsabilidade Mesmo sem deepfake , a IA permite a criação industrial de textos, memes, comentários e páginas que parecem espontâneos. Muitas vezes, o objetivo não é convencer — é confundir , cansar e desmobilizar . O risco mais perigoso: “se tudo pode ser falso, nada importa” Quando todo mundo sabe que a IA pode criar manipulações convincentes, surge uma desculpa pronta para negar fatos reais. Esse fenômeno é conhecido como liar’s dividend : a dúvida permanente vira ferramenta de quem quer escapar de responsabilidade. Regras e transparência: como o mundo tenta organizar o caos No Brasil, a diretriz é clara: é permitido usar IA, desde que haja transparência , e é proibido o uso de deepfakes na propaganda eleitoral. A eleição de 2026 será o primeiro grande teste prático desse conjunto de regras. No cenário internacional, a União Europeia colocou em vigor o AI Act , que estabelece obrigações graduais para usos considerados de alto risco. Mesmo fora da Europa, isso importa: plataformas e produtos globais tendem a adotar padrões mais restritivos de forma ampla. Como lidar com eleições e IA no dia a dia Troque “certeza instantânea” por confiança construída Conteúdos eleitorais exploram emoção. Se algo gerar urgência, raiva ou medo, trate isso como sinal de alerta , não como prova. Três perguntas antes de compartilhar Quem está dizendo isso? Onde mais isso apareceu? O que eu perco se esperar 10 minutos? Reconheça o padrão da manipulação moderna recortes sem contexto prints sem link áudios sem origem pedidos explícitos de compartilhamento A IA acelera esse pacote. Em organizações, prepare o plano de resposta Mais importante do que “postar rápido” é saber como responder quando algo der errado : canal oficial, triagem, tempo de reação e cuidado para não amplificar boatos.  Para que você possa se aprofundar ainda mais, recomendamos também a leitura dos artigos abaixo: Inteligência Artificial e BI: O Futuro da Análise de Dados Eleições 2024: O papel do BI na apuração de votos em tempo real Tudo o que você precisa saber sobre o futuro dos Agentes de IA está aqui Conclusão: a eleição mais importante acontece dentro da sua atenção A Inteligência Artificial pode tornar a política mais acessível, mais compreensível e mais eficiente. Mas também pode acelerar boatos, corroer confiança e alimentar cinismo. O impacto final da IA nas eleições não será definido só pela tecnologia, mas por regras, incentivos, responsabilidade institucional — e pequenos hábitos individuais. No fim, a melhor defesa não é dominar tecnologia. É algo mais simples: quando algo te fizer reagir rápido demais, pare um pouco — porque é exatamente aí que a manipulação costuma ganhar força. Esperamos que você tenha gostado do conteúdo desse post! 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