56% dos CEOs ainda não veem retorno financeiro da IA: o que esse dado realmente revela?
A IA virou pauta fixa no topo das empresas e, ainda assim, muita liderança sente que “a conta não fechou”. A PwC aponta isso com clareza: na Global CEO Survey 2026, 56% dos CEOs dizem não ter visto benefício financeiro relevante com IA até agora. O dado não prova que a IA falha. Ele revela que a maioria ainda não aprendeu a transformar experimentos em resultado mensurável. Especialmente no Brasil, onde legado, pressão por eficiência e cobrança por performance não dão espaço para “promessa eterna”, capturar valor virou o verdadeiro desafio.
Mas, o que esse dado realmente revela? Continue a leitura e saiba mais!
Não é atestado de fracasso
Quando um CEO afirma que não viu aumento de receita ou redução de custos, isso pode esconder três cenários comuns:
- Não houve ganho real. O piloto foi “bonito”, mas não mudou o dia a dia.
- Houve ganho local, mas ele se perdeu no sistema. A equipe até ficou mais rápida, porém o tempo economizado virou apenas “capacidade para aguentar demanda”, sem mudar margem ou receita de forma clara.
- Houve ganho, mas faltou atribuição confiável. A empresa não consegue provar que o resultado veio da IA. E sem prova, ninguém carimba “retorno financeiro da IA”.
A pesquisa da PwC, no fim, fotografa a maturidade do topo: uma minoria já consegue conectar IA a valor financeiro; a maioria ainda está atravessando o caminho entre tentativa e resultado.
Produtividade com IA existe, mas não vira dinheiro automaticamente
Aqui está um ponto que confunde muita liderança: “Se a IA faz as pessoas trabalharem mais rápido, por que isso não aparece no resultado?”
Porque ganho de tempo não vira ganho financeiro por osmose.
Há estudos indicando aumento de produtividade em tarefas específicas quando ferramentas de IA entram em operação, por exemplo, pesquisas sobre atendimento ao cliente mostram melhora de desempenho e ganhos mais fortes entre pessoas menos experientes.
Só que a tradução do “tempo economizado” para “resultado financeiro” depende de mudanças no processo. Se o atendimento ficou mais rápido, mas a empresa não mexeu em pontos como reabertura, repetição de erros, priorização, qualidade da resposta e jornada do cliente, o ganho vira absorção de volume. É valioso, mas pode não aparecer como margem, receita ou custo reduzido no consolidado.
Outro detalhe: muitas organizações subestimam o peso do fator humano. Reportagens e discussões recentes no mercado reforçam a mesma tese: sem treinar pessoas e redesenhar tarefas, o retorno tende a ficar limitado, porque IA muda a forma de trabalhar — não só acelera etapas.
Em resumo: dá para ter ganho real e, ainda assim, não conseguir “carimbar” retorno financeiro da IA se a rotina não mudar e a medição não estiver amarrada ao que o negócio reconhece como valor.
O grande cemitério da IA se chama “piloto”
Quase toda empresa grande consegue testar. O desafio é escalar.
Relatórios de consultorias vêm apontando, de formas diferentes, um padrão parecido: a maioria das organizações não escala a maior parte dos seus experimentos para uso pleno na operação. E isso diz muito.
Piloto, no fundo, é um ambiente controlado. Já a operação real tem:
- exceções o tempo todo,
- integrações com sistemas e processos legados,
- auditoria e segurança,
- pessoas com rotinas diferentes,
- manutenção contínua,
- mudança de hábito (o “como fazemos” do dia a dia).
Quando essa travessia falha, acontece o fenômeno mais destrutivo internamente: a área de negócio vê a promessa, se empolga… e depois percebe que não chega no fluxo como deveria. Resultado: a IA ganha fama de “moda cara”, vira centro de custo e passa a ser cobrada com impaciência.
O que separa os 12% que capturam valor não é “a melhor IA”. É o melhor encaixe
Na prática, quem consegue dizer “aumentei receita” e “reduzi custo” costuma ter feito perguntas mais duras, antes de escolher onde aplicar:
- Onde a decisão errada custa caro?
- Onde a demora vira perda (de venda, de margem, de satisfação)?
- Qual tarefa repetitiva está consumindo um time inteiro?
- Qual gargalo impede escala e derruba a eficiência?
- Como eu provo isso com número, sem depender de sensação?
Ou seja: não é só sobre tecnologia. É sobre escolher batalhas que encostam no dinheiro e permitem medição confiável.
Um ponto que aparece com frequência em relatórios de prontidão é o desalinhamento entre o topo executivo e a área financeira sobre “o que conta como valor” no longo prazo. Quando CEO e CFO não compartilham o mesmo critério, o projeto até ajuda — mas morre na hora de virar escala, orçamento e continuidade.
A virada acontece quando a IA entra no fluxo de trabalho
“Entrar no fluxo” significa algo simples: a pessoa não precisa lembrar de usar IA. A IA aparece onde o trabalho já acontece e onde a decisão já é tomada.
Exemplos práticos:
- No atendimento, a IA sugere o próximo passo com base em histórico real, reduzindo retrabalho e reabertura.
- No comercial, a IA ajuda a priorizar oportunidades por sinais reais do cliente, em vez de “e-mail bonito”.
- No financeiro, a IA sinaliza inconsistências e riscos mais cedo, reduzindo perdas e horas desperdiçadas.
- Na manutenção, a IA antecipa falhas recorrentes com base em padrões reais, evitando paradas e urgências.
Note o padrão: são usos que “tocam” custo, receita, risco ou satisfação do cliente — e por isso podem ser medidos com menos subjetividade.
Sem base confiável, a IA vira multiplicadora de ruído
IA acelera. E, quando você acelera em cima de base fraca, você acelera erro.
Muitas empresas ainda enfrentam o básico:
- indicador que muda de definição,
- dado que chega atrasado,
- versões diferentes do “mesmo número”,
- planilhas paralelas,
- discussões intermináveis sobre “qual é o certo”.
Nesse cenário, a IA até gera respostas rápidas — mas não gera decisão confiável. E sem decisão confiável, não existe retorno financeiro da IA que sustente crescimento de receita ou redução de custos de forma consistente.
Aqui, BI deixa de ser “dashboard” e vira rotina operacional: consistência de indicador, rastreabilidade, donos claros, e regras do jogo que evitam debate infinito. Quem captura valor costuma fazer o caminho contrário do hype: primeiro garante consistência; depois acelera. Primeiro reduz retrabalho; depois automatiza.
Em linguagem simples: três verdades que evitam frustração
Se você levar só três ideias deste texto, leve estas:
- Resultado financeiro precisa de ponte. Ganho local sem ligação com o consolidado “some”.
- Pilotos não pagam a conta. Eles provam que é possível; só escala prova que vale.
- IA sem mudança de rotina é só ferramenta. Com mudança de rotina, ela vira alavanca — e isso passa por pessoas (treino, clareza, responsabilidades) e base confiável (dados e indicadores).
Como “virar a chave” na prática, sem cair no ciclo do hype
A virada costuma começar quando a empresa troca a pergunta “onde dá para usar IA?” por “onde está doendo no resultado?”.
Depois, três movimentos mudam o jogo:
- Escolher casos com métrica e consequência. Ex.: retrabalho que vira fila, reabertura que vira custo, demora que vira perda de oportunidade, ruptura que vira perda de venda.
- Colocar a IA dentro do fluxo. Não como ferramenta opcional, mas como parte do caminho de trabalho — com regras claras.
- Medir antes e depois com critério que o CFO reconhece. Se a medição não fecha, a escala não vem.
Quando isso acontece, a IA deixa de ser show e vira rotina. E o retorno financeiro da IA deixa de ser uma promessa genérica para virar disciplina operacional.
Perguntas Frequentes
IA realmente dá retorno financeiro?
Dá, mas não “automaticamente”. O retorno aparece quando o uso está conectado a processos que impactam custo, receita, risco ou satisfação, com medição clara e adoção no fluxo de trabalho.
Por que tantas empresas ficam presas em pilotos?
Porque o piloto é controlado e a operação é cheia de exceções: integrações, segurança, auditoria, mudança de hábito e manutenção contínua. Escalar é o ponto difícil.
O que mais trava o ROI da IA no Brasil?
Geralmente, a combinação de legado, dados inconsistentes, métricas pouco padronizadas e falta de governança prática (com donos, critérios e acompanhamento). Sem confiança no número, a empresa não age. Apenas discute.
Para que você possa se aprofundar ainda mais, recomendamos a leitura dos artigos abaixo:
Por que 90% das empresas ainda não estão prontas para utilizar IA?
O “Hype” da IA: Uma reflexão sobre o uso da Inteligência Artificial na atualidade
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Conclusão
O dado da PwC do qual afirma que 56% dos CEOs ainda sem ganho financeiro relevante com IA não diz que a IA falhou. Ele diz que a maioria ainda está aprendendo a capturar valor de verdade.
As coisas tendem a funcionar quando a IA deixa de ser experimento paralelo e vira parte do trabalho, permitindo que o ganho encontre uma ponte para virar número consolidado junto a pessoas preparadas para trabalhar de um jeito diferente. E o principal: quando a base (dados e indicadores) é confiável o suficiente para sustentar decisão sem debate infinito.
No fim, não é sobre “ter IA”. Mas ter operação preparada para transformar IA em receita e eficiência.
Esperamos que você tenha gostado do conteúdo desse post!
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